quinta-feira, 2 de abril de 2009

Branco

Parada e penetrada, deitada na imensidao de lençóis multi-colores de que é decorada a cama no centro do quarto, olhava para o tecto e admirava a sua firmeza, desde que se lembrava tinha usado aquele liso e branco tecto como se fosse a sua tela em branco na qual pintava todos os estranhos sonhos, todos os grandiosos desejos, e todas as maravilhosas histórias que em dias de repouso pairavam na sua cabeça.
Noutros dias simplesmente se deixava cair sobre a cama com o corpo morto, e ficava a olhar para ele invejando a sua estrutura solida e firme querendo um dia vir a ser como ele.
Sentia-se uma espécie de tecto falso, que apesar de ser aparentemente forte, não passa de uma imitação fraca e pouco resistente, que aparenta aquilo que não é.
Sentia os braços ja dormentes de tanto segurarem a sua cabeça que naquele dia estava particularmente pesada, estava longe, não se sentia em si, geralmente era uma pessoa que pensava e imaginava, mas desta vez em nada pensava, nada, nem em sentimentos não reconhecidos, nem em passado pesado, nem em coisas erreais que sonhava fazer, estava simplesmente parada e penetrada no branco do tecto.

1 comentário:

Bela&Ren disse...

Mas como raio é que tu te lembras de escrever sobre coisas tão banais?!?! Eu nunca iria escrever sobre o tecto do meu quarto... admiro imenso a simplicidade das tuas palavras, e como tornas coisas banais em algo substancial... adorei :)