terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"esquecer sem sentir"

- Vais ficar comigo até quando? - Perguntou ela sorrindo com um olhar apaixonado.
-Até ao fim! - Respondeu ele.
Não tem saída e não tem para onde fugir, esquecer tudo, esquecer para não ter que sentir.
E quando deu por isso já tinha acabado, porquê?
Caminhava calmamente alegre acompanhada por aquele que sempre quis a seu lado, de repente o trilho que marcava o caminho tinha desaparecido juntamente com o seu acompanhante e deu por si perdida no meio do nada. Porquê?
Nada sabia para além do que sentia, aquilo que sentia, aquilo que a preenchia com uma coisa boa tinha-se misturado com tristeza, raiva, e uma enorme vontade de chorar.
Gritou ao vento e perguntou-lhe por ele, e o vento nada disse, manteve os seus carinhos na pele molhada pelas lágrimas dela que procurava desesperadamente por um sinal dele.
A dificuldade em respirar aumentava á medida que o tempo passava e a dor permanecia firme e forte apertando o seu peito que esperava ansiosamente pela vinda dele que receava por chegar.
Deu-lhe todo o amor, deu-lho por inteiro, e agora sentia-se perdida, fartou-se de procurar por ele de perguntar por ele, cansou-se de ouvir valadas de tristeza que lhe ecoavam nos ouvidos como gritos de agonia mas também com uma ponta de compreensão.
Sem dar por si, sem palavras nada se assumiu, o tempo tudo dominou nem a ausência nem a presença dele podiam evitar a sua dor, aquilo que nesta altura não sabia bem porquê fazia dela um boneco esquecido, o seu rosto triste e molhado penetrou no seu próprio reflexo e a ele perguntou mais uma vez: PORQUÊ?
Tinha sido o FIM.

Ao som de fragmentos “esquecer sem sentir”.



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