segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

EU ACHO QUE...

Vi e revi vezes sem conta o seu olhar dirigido para o chão com vontade de desaparecer, vi a vergonha e vi o sofrimento.
Só de olhar doi-a.
Olhou para cima pensativo, voltou a olhar para baixo e disse com a voz estranhamente calma, como se tivesse com medo de errar nas palavras:
- Eu acho que...-foi interrompido
- Eu sei - disse uma voz agressiva vinda do escuro.
Não foi necessário terminar a frase, era tão evidente que o silêncio disse tudo.
Está para além do que conseguimos controlar.
A sensação de querer nao querer, mas agir de forma a obter o que não queremos.
O medo de magoar e ao mesmo tempo a certeza de que irá acontecer.
Tornarmo-nos fracos ao ponto de sermos incapazes de enfrentar-mos os ditos "problemas".
A esperança de que seja só a imaginação a brincar com a mente, a fazer dela uma espécie de plasticina, brinca com ela e faz formas estranhas e completamente irreais, mas que vai voltar a colocar tudo como estava.
A culpa nunca pertenceu a ninguém, não tem nada a ver com vontade, é uma coisa superior e maior, ele não a culpa, e mesmo sem querer continua de olhos fechados, á espera de quem, que se alguma vez voltar nunca irá ser inteira.
Estupidamente continua a ver o seu sorriso como um sinal, e a sua voz como o som que deve seguir religiosamente, estupidamente continua a seguir o rasto que ela vai deixando pelo caminho sem querer.
Não adianta esperar por quem só repara em ti quando te vê, não adianta lutar por quem não vê para além do que está á vista, e não se importa com o que irás sentir depois de ter realmente reparado em ti.
Já está na altura de parares de babar como um cão, já estava na altura de parares de te achar superior só porque pensas que sabes mais que os outros, e ja estava na altura de começares a tratar os outros de forma digna e os tratares da maneira que eles merecem, e sabes porquê?
Porque não passas de uma criancinha que se encanta por qualquer brinquedo que sobressai-a ao pé dos outros.
Francamente ja estava na altura de cresceres, sempre te admirei, e agora por talvez esperar demais de ti estou surpreendentemente desapontada e desiludida.




(ama quem te ama, nao ames que te sorri, porque quem te sorri não te ama e quem te ama sofre por ti)


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